Casulo

Casulo é o primeiro resultado de uma pesquisa que busca criar um universo próprio a partir das experiências de uma mulher negra que cresceu perdida nos espaços por onde passou. Não é novidade alguma a incidência de violências e exclusões no caminhar de pessoas negras e mulheres nos mais diversos ambientes, o que leva a discussões a respeito de refúgios e locais de proteção e cooperação, como o próprio quilombismo de Abdias do Nascimento. As tensões provenientes de espaços afetivos e sociais se acumulam ao longo da vida e demandam a criação de um novo que rompe com demarcações uma vez que está dentro e fora simultaneamente.

Os fundos predominantemente de cores sólidas e sem perspectivas são pontos-chave para esse espaço sem espaço. Há um transbordamento de onde esses personagens estão e por onde se movimentam. Os alter-egos podem estar incubados ou prontos para ação. A não-localização age como um espaço negativo, fazendo com que se reflita onde essas figuras se encontram. Somadas as cores vibrantes e formas que desenham a pele, tensionando a transformação pessoal e o que rodeia, fica uma conversa sobre o que é feito visível, o que nos atravessa, o que refletimos e como nos moldamos.

O casulo também é um ambiente incubador de potências que nascem dessas tensões. Um espaço para processar emoções e transmutá-las em energia de ativação. Bora?, com seu grupo de mulheres negras que se aquilombam pelo afeto e florescem juntas, é o destaque por ser o melhor resultado dessa pesquisa até o momento. Por mais que tantos espaços sejam projetados para a neutralização, o casulo é fonte de alívio, reconstrução e atividade.




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